Continuando na seleção de posts sobre criação de sites, seguiremos adiante do ponto onde paramos no post da semana passada, Como fazer um bom Briefing.

O passo seguinte para continuar com a Criação de Sites, seria a interpretação e entendimento deste briefing. Em um mundo ideal o Briefing viria completo, com indicação do público, levantamento das dificuldades, aspirações e problemáticas do cliente, aonde ele quer chegar, quais seus objetivos, um breve histórico da empresa e um resumo das ações online já praticadas e seus resultados. Mas nem sempre é assim e em 80% dos casos o Briefing virá faltando informações, dados ou então será muito superficial. O que fazer então? Como agir profissionalmente e extrair o máximo de informações possíveis para que se possa entregar um trabalho de qualidade?

Muito do que se lê na Internet em blogs especializados ou então em post tutoriais ou entrevistas com designers do resto do mundo, para a realidade do Brasil é balela ou não se aplica. Raramente existem jobs com prazos folgados, e nem sempre se pode lançar mão de todos os recursos que vemos os “caras de fora” usando, como redatores, fotógrafos, ilustradores, etc. No Brasil, os prazos são curtos, muito curtos, e muitas vezes também são curtos os recursos do cliente. Isso por que quase sempre as estratégias digitais são a ponta do rabo do cometa no asteroide “verba de marketing” de um pequeno ou médio empresário.

As Competências do Designer

“Isso eu não faço, não é meu trabalho”

Isso não existe na nossa realidade ( ou pelo menos não deveria existir ). O designer não pode assumir uma postura retroativa assim. Embora seja uma área onde muitos se gabam por entender mais do assunto do que outros, esse tipo de atitude não leva a nada. O designer precisa, antes de tudo, assumir a postura de ajuda, de tomar o cliente no colo, como um médico, ou um psicanalista, e tentar extrair do cliente aquilo que ele (designer) próprio precisa para desempenhar um trabalho bacana. Isso, aliás, pode-se aplicar para todas as profissões… proatividade é bom para o conhecimento, para a ampliação dos horizontes, para nos tirar da zona de conforto.

Todo designer que trabalha com Internet no Brasil ( não gosto do termo Web Designer, explico em outro post futuro ) deve ser um pouco de tudo, e entender bastante das áreas que cercam não só o Design em si, mas entender de negócios, de comportamento, compreender limitações de audiências e de otimização de tempo (seu próprio e do cliente). O designer deve saber discernir as suas vontades das necessidades do cliente ou de seu público.

O designer deve sim conversar com o cliente, pesquisar seu mercado, entender do negócio em questão, fazer sua lição de casa e resolver os furos do briefing incompleto, de forma que ele possa fazer o seu melhor. Muitas vezes simplesmente não é possível preencher o briefing de forma satisfatória, ou por falta de informação do cliente, ou realmente pela não existência de tais infos. Neste caso, o jeito é usar sua experiência para surgir com algo, por que muitas vezes o cliente só vai saber do que precisa depois de ver alguma representação gráfica.

Arquitetura da informação e User Experience

Tendo em mãos o briefing completo (ou pelo menos o suficiente para se trabalhar) é hora de definir o que é mais importante para o negócio do cliente X o perfil de seu público alvo, para levantar e elencar quais as sessões-chave do site. O que é mais importante, o que é secundário. Criar uma lista numerada, do mais importante para o menos, e surgir com um wireframe (esqueleto) da disposição das áreas do site. Trocando em miúdos, e de uma forma bem simplória, isso é a arquitetura da informação do site. Hoje em dia já existe um cargo para isso, o Arquiteto da Informação, mas na minha opinião é obrigação de um bom designer não apenas saber fazer, como dominar essa fase do processo.

“Experiência de Usuário (UX) trata sobre definir o problema que precisa ser resolvido (o porquê), definir para quem esse problema precisa ser resolvido (para quem), e definir o caminho que deve ser percorrido para resolvê-lo (o como).” Whitney Hess. São as percepções de uma pessoa (usuário) que resultam da utilização de um serviço, produto ou sistema. Ou seja, mais uma função analítica de extrema importância que pode, somente com um posicionamento de um botão ou com a troca de uma chamada (call to action), definir um site como um sucesso ou um fiasco do ponto de vista de suas metas e objetivos.

Não há como um designer desenvolver um trabalho ao menos satisfatório, sem ter sólidas noções dessas duas etapas vitais para qualquer site.

Agora sim, ao Layout


Com base na identidade visual do cliente e, estando o Wireframe devidamente defendido, justificado e aprovado, o Designer pode começar a pensar em pesos, cores, linhas e colunas, alinhamento, imagens, texturas, recortes, etc. Agora sim, começa o trabalho de Design.

A regra mais importante, e que pode parecer besteira quando falada, mas que ocorre com muito mais frequência do que se imagina, é:

Atenha-se ao Briefing!

Deixe-o aberto, ou impresso em cima de sua mesa. Olhe pra ele a cada área nova do layout que você for fazer. Soa meio besta, e até primário, mas muitos designers, experientes ou não, se envolvem com uma ideia e “viajando” em seu design e acabam esquecendo de pequenas notas, detalhes e até mesmo premissas básicas do briefing.

Sem dúvida nenhuma essa é a parte que exige mais experiência, conhecimento, bagagem e muito, muito feeling e sensibilidade. Considerando todo o processo até se chegar a esse ponto, o layout já deve estar “mais ou menos criado” na cabeça de um bom designer. Geralmente é nessa parte que surgem os conflitos cliente/agência. O designer diz que ele estudou pra isso e que o cliente não entende do que está falando. Em contrapartida o cliente diz que não quer aquela cor, ou não gostou do tamanho do logo, enfim, os motivos para a discórdia são inúmeros, e nem vale a pena discutir quem tem razão.

O que se deve fazer é justificar por que tal layout foi feito dessa forma, e considerando-se o bom senso, deve-se levar em conta o que o cliente pede e o que o designer sabe que é necessário. Flexibilidade, compreensão e saber lidar com as expectativas alheias são qualidades imprescindíveis para um bom profissional. Lembre-se, gosto não se discute, e no fim do dia, o cliente é quem paga as contas. Ouvir suas solicitações, considerá-las de maneira consciente, implementando o que for possível e justificando de forma clara aquilo que foi proposto, evitam muito estresse de ambas as partes, além de demonstrar profissionalismo e maturidade.

O Designer deve considerar também como o HTML do site será montado, isso se não for ele próprio que irá recortar e montar o código. Isso reflete na forma de construção das páginas, consideração dos scripts que serão usados, dos elementos que cada componente contém, e da interação que cada um deles exige. Ou seja, o Designer também tem de conhecer e ter noções de programação, caso contrário ele pode surgir com algo, que no ar poderá ficar diferente do layout.

Apresentação e Justificativa do seu layout

Essa parte é simples: “Se você não sabe justificar o porquê de tal elemento em seu layout, é por que ele não deveria estar lá.”

Simples assim, tudo o que for colocado no layout tem de ter um propósito, mesmo que pequeno ou subjetivo.

Alterações e Ajustes

Essa é a hora em que o cliente aponta o que lhe agradou e o que não lhe agradou. Nessa fase costumam surgir conflitos quanto às expectativas do cliente e a experiência/ego do Designer. É preciso ouvir bem o que o cliente tem a dizer, e não partir do pressuposto que ele não entende de Design. O Cliente entende do negócio dele, e ele também tem o gosto dele.

É preciso ser flexível e saber mesclar bem suas justificativas quando elas são vitais para um projeto ou quando elas são apenas a vontade de quem fez o layout. Geralmente é nessa fase que se mostra o profissionalismo de um Designer, se ele quer realmente o melhor para o cliente ou se quer algo bonito para colocar no portfólio.

Entrega final

É sempre bom ter em mãos um documento para entregar ao cliente juntamente com a versão final do Layout do site, para ele assinar, atestando que o serviço de criação foi aprovado e está entregue de acordo com o que foi passado no briefing. Anexe também uma cópia impressa da versão final do layout. É segurança para quem fez, e para quem pediu. O cliente poderá reivindicar caso o HTML do site esteja diferente do aprovado, e o designer poderá questionar de forma tranquila e renegociar com o cliente caso ele peça alterações após a definição do layout.

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Sobre Carlos Costa

Carlos Costa é o diretor de criação da WebTraffic. Com mais de 13 anos de experiência em branding e varejo, Caju é especialista em UX, arquitetura da informação e planejamento de projetos e hoje é o responsável pela equipe de criação da agência.

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